Imagi




O Homem Tronco

...Una horripilante imagem se desenrola agilmente nas cavidades ditas "inferiores" das mentes civilizadas

Afastariam-se para sempre de mim os dois corvos?

Creo mesmo que as pessoas às quais ironicamente me dirijo, perseguem-se mutuamente, sem propósito algum; mas apenas por não saberem para onde ir

Culpam-me arbitrariamente pela formação da imagem.

..Sábado passado, alguém de olhos vermelhos surgiu na janela e me disse:

"Olá, Dr. Sylvanna. A imagem está ficando obsoleta
 e você nada faz para aperfeiçoá-la?"

...De que me adianta responder 
que a imagem não está nem aí com sua forma?
...Que a imagem, por mais que se queira "eternizá-la" ou "mistificá-la"
surge sempre de algo incerto
De um ambiente não pensado

E, assim, não se julga mais perfeita
 que a imagem em meu cérebro...
Mesmo sem querer, eu me denuncio.
 Por isso queria, quem sabe, esquecer tudo e fugir,
 levando comigo, sob as axilas, o casal de corvos empalhados.

Mas, aconteça o que acontecer, 
não me sentirei o único culpado.

Acredito também...
...Por que deveria acreditar em notas musicas em harmonia,
 cruzando ocasionalmente o ar, como uma Divina Sinfonia?
Elas são sublimes
Não. Ela não virá

O relógio de controle já passa das dez.
 É inútil continuar esperando por Marloul

Ela nunca terminará sua maquiagem de Vênus de Milo pop  
À porta do camarim, sempre estarão os três vampiros enfermos

Parte 2

Junior esperneia
quebrando até mesmos os discos
de Stockhausen
sobre a cabeça cheia de piolhos
de sua avó Influenza
Look Junior!
São os meninos do Planeta Vermelho
dos quais você tanto nos falava
Eles estão lá, na sala agora
esperando que você crie qualquer droga
para que eles possam, bem distante, analisar sua mente...

Estou quebrado como uma prostituta
após seu primeiro dia de trabalho

Meu desejo não é nada. Não tem forma.
Apenas existe, perdendo-se 
La traduccion ainda não ocorreu, e duvido que chegue;
Se é que exista. 
De alguma forma, por algum motivo, não se deixará reconhecer. 
Haverá sempre de se disfarçar, de amiga, cliente, paciente, 
ou mesmo de prestativa esposa,
como num daqueles romances calhordas pequeno-burguês.

   E eu? O que faço com essa imagem?
   Eu estava podre, e a mosca dourado-metálico me sobrevoava.

Sinto-me bem
como uma garrafa de vinho
sem rótulo
vazia sobre a mesa
como uma estrela cintilante
esfriando nos confins do universo
como uma estrada de terra deserta
sem fim e sem volta
...Sinto-me bem
como um espaço vazio
delimitado no vácuo
como as cores outrora berrantes
das flores de plástico no vaso.

Eu vítima? Talvez o casal no retrato em branco e preto. Alguma expressão fixa. A mulher em primeiro plano, com os braços iluminados, sem vida, estendidos ao acaso, a qualquer infinito. E um charlatão de bigodes fartos, sorridente, submerso no fundo, manchado com um verniz escuro como a própria bile. Ao lado da mulher e da fita há o transtorno.

E seu novo assistente curará todo o nervosismo. A broca em movimento nos dedos. "The Socialite" com mau hálito no vidro, se divertindo. Vítima de um  Neo-nazismo capitalismo chegando em seu Ford K azul turquesa, simbolo presente de um cotidiano vulgar, e de um futuro ainda mais cruel e indiferente. Não. Prefiro ficar.

Talvez eu, a realidade não manifesta, a possibilidade sacrificada, a vontade de ser, no mínimo antes o absurdo do meu próprio Skull Nihilismi Hell (SNH), e brincar com os pássaros...

Pássaros?
Parecia mais um canário depenado
assobiando desafinadamente 
escalas cromáticas
acertando a gravata listrada
observando, como num sonho
a própria imagem distorcida
refletida em uma gota de chuva...
                                 ...Suspensa nas barras de ferro
                                       da sua pseudo e confortável prisão.

   Só não podia voar
   Só não voava
   Não. Não voava mesmo...